Dificuldades de Aprendizagem na Infância – Parte 2

18 de junho de 2012

Comportamento

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Alfabetização. Um caminho a percorrer de mãos dadas: criança, família e escola.

Talvez um dos assuntos mais debatidos dentro das escolas, gerador de ansiedade nas famílias, é o período escolar chamado de Alfabetização Escolar, que varia de cinco a sete anos de idade. Essa variação se deve a muitas escolas e pais que acham que quanto mais cedo a criança for alfabetizada muito melhor será para sua futura vida de adulto.

Como diretora de escola, costumava receber pais ansiosos de filhos ainda no período conhecido como Jardim III (na maioria das escolas é o último período que antecede à Alfabetização formal) e os pais insistiam para que eu “adiantasse” um ano na vida escolar de seus filhos, por julgarem que os mesmo já tinham condições para aprenderem a “ler e escrever” porque conheciam todas as letras do alfabeto, sabiam contar até 100, conheciam cores e tinham excelente coordenação motora, além de serem muito “espertos”. Julgavam os pais, que estas crianças com esta “bagagem cultural” iriam se desestimular se “perdessem” um ano repetindo, a seu ver, as brincadeiras e desenhos que faziam na escola.

Enfim, convencer a estes pais que, quanto mais cedo a criança fosse alfabetizada mais cedo ingressaria no Ensino Fundamental, gerando um possível problema de aprendizagem no futuro era frustrante. Isto assim pensado criava uma expectativa para os pais, entretanto os lembrava que havia um lado não pensado, o que uma criança cognitivamente pode avançar e se desenvolver há um outro lado, emocional, que é a maturação neurológica que sustenta a maturidade emocional, não segue no mesmo nível de desenvolvimento. Isto ocasiona, por vezes, mais tarde, uma desestimulação por “cansaço” de ser “cobrada” a mais por saberes que ainda não tenha condições emocionais de adquiri-los.

A criança precisa ao cursar a sétima série, por exemplo, na disciplina de matemática de um pensar abstrato (Teoria Psicogenética Piagetiana) para poder enfrentar os conhecimentos algébricos exigidos pelo programa. O que se vê? Crianças pré-adolescentes com problemas de aprendizagem no raciocínio lógico-matemático para compreender os conceitos trabalhados. Em seguida vem o fracasso e a “ojeriza” pela matemática. Pergunta-se: será a culpada deste fracasso a criança de dez ou onze anos que foi “empurrada” a cursar com menos idade (menos maturidade) aquela série?

Quando comecei os estudos de Psicologia da Aprendizagem, sabia-se que a bainha de mielina que envolve os terminais nervosos se completavam por volta dos sete anos de idade. Por isso, as Leis de Ensino mais antigas estabeleciam a idade mínima de sete anos para a criança ingressar na Classe de Alfabetização.

Com o passar dos anos, com a nova e imensa estimulação por vários canais de comunicação como televisão, vídeo, cinema, DVD, canais a cabo, revistas, jornais, Internet, tudo isso se somou para acelerar a maturidade cognitiva das crianças que passaram a ingressar entre cinco e seis anos nas Classes Alfabetizadoras.

Hoje, algumas pesquisas sobre o funcionamento cerebral concluíram que, o conceito, há décadas, pelo fechamento da bainha de mielina ao proteger os feixes nervosos, altera em muito a questão educacional daí advinda. Segundo a Revista Mente e Cérebro, já há teóricos defendendo que a idade de maturação da bainha de mielina se dê após os quatorze anos, podendo chegar até à idade de vinte e um anos, dependendo do desenvolvimento de cada organismo.

Isso se comprovado e aceito pela sociedade acadêmica e científica, provocará um novo pensar na aprendizagem, pois tudo que se pensava de um ser humano por volta dos seis ou sete anos seria derrubado e, na minha prática, estaria de acordo com a minha observação sobre as crianças.

Prontidão para ser alfabetizado é algo bastante arcaico em termos de Educação. Já foi por demais explicitado de que a criança tem vários níveis de percepções, memória, atenção e coordenação motora, visual e viso-motora que não estão niveladas pela idade e, sim, pela experiência, vivências que vão incorporando à sua bagagem cultural de conhecimentos.

Sabe-se que quanto mais estimulada e, de forma correta, for uma criança mais possibilidades terá de ter um bom desenvolvimento cognitivo e emocional.

Entretanto, a vida moderna, com toda agitação e aceleração de conhecimentos, cria diversos tipos de comportamentos nas crianças que, apesar de serem “normais”, inteligentes, aparentemente sem nenhuma patologia, bloqueiam sua aprendizagem. É um enigma a ser desvendado por uma Equipe Inter e Intradisciplinar.

Há crianças que desenvolvem um medo do Mundo Adulto, tantas cobranças, tantos compromissos, tanta violência. Por algum mecanismo emocional fecham-se em seu mundo e “não querem crescer”, por que falamos sobre isto? Porque na verdade a CHAVE PARA O MUNDO ADULTO é a leitura e a escrita, a partir do momento em que a criança encontre-se letrada, tem como conviver com o mundo dos Adultos também pela leitura.

Desta forma, este assunto terá um desdobramento em outros artigos sobre Alfabetização, pois são muitos os mistérios que cercam este período e aprendizagem com muitos mitos e crenças a serem desvendados. Faz-se necessário que mais pesquisadores divulguem seus trabalhos para que, juntos, possamos tornar essas pesquisas mais populares, auxiliando pais, professores e, principalmente, às próprias crianças, foco do estudo, a se saírem melhor na escola, sem trauma, sem medo e sem ansiedade.

Leia também: Dificuldades de Aprendizagem na Infância – Parte 1.

OBSERVAÇÃO: Por conta do Doutorado, não terei tempo de responder a todos os comentários. Antecipadamente, peço que me desculpem. Obrigada!

 

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About Tereza Machado

Tereza Machado é ligada às Faculdades Integradas Simonsen e Universidade Cândido Mendes, lecionando no Ensino Superior. Formada em Português-Literatura e Pedagogia, ambas pela UERJ. Doutoranda em Língua Portuguesa/UERJ, Mestrado em Educação no IESAE, da Fundação Getúlio Vargas/RJ. Pós-Graduação em Psicopedagogia e Educação a Distância (UFRJ e SENAC). Atua como Consultora Educacional, presta assessoria na confecção do Projeto Político Pedagógico Educacional e à Diretoria de Escolas de Ensino Fundamental e Médio, seleciona professores para as Escolas, ministra cursos de Treinamento Profissional, inclusive a empresas de áreas diferentes da Educação.

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