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A Ficção Científica Que Virou Realidade – Parte 3

15 de abril de 2012

Cultura, SciTech

Bom, vamos à terceira parte desta série de artigos. Desta vez falarei de outra invenção, que ainda não se tornou realidade da forma como foi imaginada pelos autores de ficção, mas que caminha a passos largos nessa direção. Novamente percebe-se como o pensamento criativo destes autores, quando olhado de perto, pode parecer realmente como um exercício de “futurologia”.

Isaac Asimov e os Robôs

O russo-americano Isaac Asimov é considerado um dos mais prolíficos escritores de todos os tempos, tendo produzido mais de 500 livros. Professor de bioquímica, foram os livros de ficção que fizeram a fama do pai da robótica. Isso mesmo, estamos falando do autor que não só foi o pai do conceito de robôs como os conhecemos como do cara que inventou as “três leis da robótica” (daqui a pouco falamos mais sobre isso). Foi Asimov quem inventou o próprio termo robótica.

A palavra “Robô” foi utilizada pela primeira vez em 1921 pelo escritor Tcheco Karel Capek. Ela veio da palavra Tcheca “robota”, que significa “trabalho forçado”.  A peça de teatro que fazia uso do termo passava-se dentro de uma fábrica que criava “pessoas artificiais”, que eram produzidas para trabalhar para as “pessoas reais”. Os robôs da peça, eventualmente, se rebelam e a guerra que se segue acaba com o final da raça humana. (Sim, você já viu isso antes).

Em 1942, na história “Runaround” Asimov utilizou pela primeira vez o termo robótica e listou as três leis da robótica, que tratam das regras básicas que todo robô deve seguir. Em ordem de prioridade elas são:

  1. Robôs não podem machucar os humanos ou deixar que eles se machuquem.
  2. Robôs devem obedecer aos humanos.
  3. Robôs devem se proteger, a não ser que isso conflite com as duas primeiras leis.

Sim, você já viu isso antes também, muitos sucessos de bilheteria de Hollywood foram baseados em obras de Asimov e nos conceitos que ele criou.

O filme “Eu, robô” de 2004 é inspirado nas histórias onde Asimov tratava da lógica de suas leis, suas implicações e interpretações. Outro sucesso, “O Homem Bicentenário” de 1999 foi escrito utilizando a obra “O Homem Positrônico” como fonte. Filmes mais antigos como “Robocop” e as leis que o andróide deveria seguir (no filme) derivam do pensamento de Asimov também.

Robôs humanóides como os imaginados por Asimov ainda não são exatamente realidade, mas robôs que mudaram o funcionamento da indústria, como nas grandes empresas automotivas, já são utilizados há algum tempo em larga escala.

O que mais me fascina nas histórias de ficção com robôs, não só nas obras de Asimov, mas na maior parte das obras de ficção subseqüentes sobre o tema, a melancolia das máquinas sempre se torna um desejo de vingança contra a raça humana. Seja por falhas nas leis (“Eu, robô”), seja por necessidade de sobrevivência (como em “Matrix”) ou por simples ganância de poder (como em “O Exterminador do Futuro”).

As obras de ficção sobre robôs normalmente colocam o homem no dilema de “criador”, e os robôs inteligentes acabam se tornando, na criativa mão de seus autores, pequenos simulacros de humanidade que invariavelmente são utilizados nessas obras para trazer questionamentos filosóficos sobre nossa própria humanidade à tona.

Talvez o maior exemplo disso seja o filme “Blade Runner”. Que mostra a história de “formas artificiais” de vida (chamadas de replicantes) que foram criadas para trabalhar para a raça humana, e que tem um reduzido tempo de vida, apenas 4 anos. No filme o replicante Roy e um grupo de fugitivos tenta encontrar seu criador enquanto é perseguido por um caçador de andróides. Ao encontrar seu criador, o replicante Roy, que já estava próximo do final de sua curta vida exige mais tempo do criador, que o conta sobre a impossibilidade disso. Ele traz então uma questão extremamente humana para seu criador (antes de matá-lo) “Porque precisamos saber que vamos morrer?”. Trazendo isso para a realidade, somos a única forma animal que tem consciência da própria morte. Muitos filósofos se dobraram sobre o tema por toda uma vida.

O discurso final deste filme, o solilóquio do replicante Roy conhecido como “tears in the rain”, é considerado até hoje o mais comovente discurso “antes da morte” do cinema. No discurso ele cita as coisas fantásticas que viveu e presenciou no seu curto tempo de vida, apenas para concluir, como todos nós humanos concluímos um dia “…Todos estes momentos estarão perdidos no tempo, como lágrimas na chuva. Hora de morrer…”.

Ainda que estejamos ligeiramente longe de ver simulacros humanos andando nas ruas, as questões filosóficas que a robótica nos trouxe, no papel de criadores, servem até mesmo para nos fazer mais humanos.

Enfim. Concluo aqui, de forma mais melancólica esse capítulo dessa série. No próximo pretendo discutir previsões da ficção científica que fogem do campo de tecnologia. E depois devo concluir esta série no que eu espero que não seja um solilóquio tristonho, mas quem sabe seja épico, como o do replicante Roy.

Beijos e abraços a todos, até a próxima!

Nota do Editor: em 6 de abril fez 20 anos da morte de Isaac Asimov. Um VIVA a esse grande escritor!

Imagens: Wikimedia CommonsOpen Library.
Leia também: A Ficção Científica Que Virou Realidade – Parte 1 e Parte 2.

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About Guilherme Paes

Arquiteto de soluções, analista de sistemas, poeta, músico, artista marcial, entusiasta de tecnologia, apaixonado por esportes de aventura… Duas faculdades, uma pós e algumas especializações… Viajante inveterado… Enfim, um cara que vive a mil por hora e dorme bem pouco…

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One Response to “A Ficção Científica Que Virou Realidade – Parte 3”

  1. Sybylla Says:
    Pelo fato de os robôs querem ser nossa imagem e semelhança – até porque nos filmes eles foram construídos assim – eles cometem erros maiores e que afetem mais gente por não terem o discernimento necessário que toda a vivência humana nos deu. Até mesmo com toda essa vivência cometemos erros crassos, o que dirá uma criatura mais forte, imatura e que não se machuca? Uma discussão interessante.

    Abraço! :)

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