Cientistas Guardam “O Nada”

1 de março de 2012

SciTech

Cientistas Guardam "O Nada"

Lembram-se daquele filme dos anos 80, História Sem Fim? Onde o protagonista tem que salvar seu mundo do “NADA” que simplesmente engole tudo o que encontra pelo caminho?

Poisé, o “nada” existe e foi armazenado por cientistas canadenses da Universidade de Calgary e por japoneses do Instituto de Tecnologia de Tóquio. É isso mesmo! E aí você pode dizer: em casa também armazeno o “nada”. Tem um monte de potes “vazios” no meu armário. Brincadeiras à parte, o “nada” ou o vácuo total é de suma importância para a ciência.

Explicando melhor, este “nada” tem grande importância para a computação, a criptografia quântica e também para se entender os fundamentos do universo. A experiência permitiu que fosse armazenado um tipo de vácuo, no meio de uma nuvem de gás, tornando-o recuperável quando necessário.

A luz é formada por partículas chamadas fótons. Em uma analogia, quando você apaga a luz, você fica no escuro, mas no mundo quântico – das micro partículas da matéria – você não ficaria completamente no escuro. Você estaria imerso em um mar de “ruídos” ou “sujeiras” dos próprios fótons, ou seja, haveria uma incerteza impedindo que você fizesse medições precisas sobre a ausência dessas partículas.

E como os cientistas conseguiram isso? Não foi muito fácil. Eles utilizaram cristais para manipular um feixe de raio laser, onde conseguiram criar o que eles chamaram de vácuo condensado. Em condições extremamente controladas, este vácuo tem menos ruído do que a total ausência de luz.

Estes “nadas” quânticos são utilizados na detecção de ondas gravitacionais e em pesquisas sobre computação quântica. Estes vazios são utilizados para armazenar informação e para gerar um fenômeno muito interessante, o que os cientistas chamam de entanglement – o entrelaçamento – onde duas partículas se auto-influenciam, independentemente de sua distância. Se você já imaginou uma máquina de teletransporte, este é o princípio.

Tudo isso parece ser ainda mais inacreditável, mas os físicos conseguiram demonstrar que o vácuo condensado pode ser armazenado por algumas frações de segundo, para ser recuperado em seguida. Com base na descoberta da equipe da professora Lene Hau, de Harvard, os cientistas verificaram que ao recuperar a “luz congelada”, ela permanece comprimida, emitindo menos ruído que a ausência de luz.

Além dos computadores quânticos, esta descoberta é importantíssima para se conseguir novas maneiras de construir códigos indecifráveis para a transmissão segura de informações. “Uma memória para a luz tem sido um grande desafio na física por muitos anos e eu estou muito feliz em ter sido capaz de levar isso um passo adiante”, explica Alexander Lvovsky, um dos membros da equipe da Universidade de Calgary.

 

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About Max Sparsbrod

Desenvolvedor web desde 96. Cientista amador, aspirante a astrônomo, arqueólogo por correspondência, ufólogo inveterado, forjador de espadas e amante da era medieval. Aprendiz de escritor com um pseudo pseudônimo (Max). Ex-músico, baixista de uma banda de rock mineira “quase famosa”. O grande arquiteto. Em resumo, quem manda nessa bagaça!

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